Num país onde as palavras “crise económica” são atualmente, uma constante diária, é necessário refletir no futuro dos atuais estudantes e dos recém-licenciados, principalmente da área de Enfermagem. O papel do Enfermeiro é extremamente importante para manter a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Mas será que num local onde o rácio doente-enfermeiro adequado não é respeitado e estes profissionais se veem obrigados a trabalhar em dois locais e a realizar horas extraordinárias, serão prestados cuidados de qualidade e de forma holística?
Os Enfermeiros desempregados são cada vez mais necessários à população, mas tendo em conta a falta de emprego em Portugal, são também cada vez mais os que partem para locais que lhes ofereçam melhores condições de vida. Para uns, a emigração é vista como a última opção, para outros é uma forma de ganhar visibilidade.
Enquanto que por um lado os políticos portugueses dirigem “convites” aos jovens para emigrar, por outro lado a Ordem dos Enfermeiros refere que “Temos de formar para contratar e não para exportar a custo zero”. A realidade do que acontece em Portugal é o facto de não ser dada uma primeira oportunidade de emprego aos recém-licenciados, por falta de experiência, o que os obriga a recorrer a outras fontes, fora de Portugal.
Questiono-me, de que vale o facto de estudar durante anos e enriquecer o meu currículo com atividades curriculares e extracurriculares, para no fim ter que sair do meu país à procura de uma oportunidade de emprego? Há trinta, quarenta anos atrás eram poucas as pessoas que tinham a oportunidade de estudar, os que tinham esse privilégio eram os que pertenciam a classes económicas altas. Atualmente a educação abrange a maior parte da população, e é então com maior facilidade que é possível ingressar no ensino superior. Pergunto-me então até que ponto isso será válido nos dias de hoje, em Portugal? Vejo uma ínfima quantidade de pessoas a concluir um curso superior e a trabalhar no que estudaram, muitos a estudar durante uma vida em vários cursos, para no fim não terem emprego em nenhuma dessas áreas. De que vale então tanto estudo? Permite-nos enriquecer a nível pessoal, mas não nos é permitido contribuir para a evolução da área profissional. Evolução essa que, na minha opinião, pelo que tenho visualizado ao longo dos ensinos clínicos, é extremamente necessária na área da Enfermagem.
Ir trabalhar para o estrangeiro é então uma experiência que pode ser tanto positiva como negativa. Tive oportunidade de ler numa publicação no website da Ordem dos Enfermeiros, um testemunho de uma Enfermeira que emigrou para a Inglaterra. Nesse testemunho ela revelou que visualizou a oferta de emprego num local que consideraria fidedigno e realizada por uma pessoa com conhecidos em comum. Tudo foi tratado relativamente ao seu emprego, à ida e alojamento. Quando foi para a Inglaterra, deparou-se com uma situação com a qual não estava à espera e nada comparada com o que tinha sido combinado. Para além de ter que regressar a Portugal, veio com menos possibilidades financeiras que as que tinha levado.
Ao contrário desta primeira experiência negativa, existem outras que são uma mais-valia e que nos ajudam a compreender que o trabalho de Enfermagem no estrangeiro em alguns aspetos difere do de Portugal.
A partir de um segundo testemunho de um Enfermeiro, foi possível compreender que o trabalho de Enfermagem na Suíça é um tanto ou quanto diferente do de Portugal. Neste país os Enfermeiros portugueses são preferidos aos Enfermeiros formados noutros países, ocorrem formações frequentes na área, para que os Enfermeiros possam estar atualizados relativamente a alterações e temas do seu interesse. É comum que os Enfermeiros debatam com as restantes áreas profissionais (Médicos, Nutricionistas, entre outros) os assuntos relacionados com o doente, assim como a sua alta e outras questões, que em Portugal passam apenas pela equipa Médica.
Antes de ser tomada a decisão de ir trabalhar para o estrangeiro é necessário então ponderar todas as hipóteses, verificar as fontes que oferecem o emprego, esclarecer todos os factos com as pessoas que possam estar envolvidas na oferta e confirmar as condições que são oferecidas. Para uma melhor tomada de decisão, achei importante indicar neste artigo, um documento disponibilizado no website da Ordem dos Enfermeiros, no artigo “Trabalhar no Estrangeiro” e publicado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, que indica muitos aspetos a ter em conta antes de recorrer à emigração.
Para finalizar devo referir que sou da opinião de que trabalhar no estrangeiro poderá ser uma experiência muito enriquecedora, na medida em que será possível conhecer uma cultura e costumes diferentes do que estamos habituados no nosso país, assim como uma prática de enfermagem específica, com o adquirir de novas competências. Por outro lado, penso que seria positivo que os Enfermeiros recorressem ao estrangeiro apenas pela busca de uma nova experiência e não pela obrigação implícita devido à falta de emprego em Portugal. Para tal seria importante que fosse dada a oportunidade de emprego neste país a recém-licenciados, podendo com isto melhorar a qualidade dos cuidados de Enfermagem e diminuir possíveis sentimentos negativos, tal como o Burnout, nos Enfermeiros ativos profissionalmente.
Referências bibliográficas:
– Martins, Bruno (2012). Nós por lá – Entrevista a um colega Enfermeiro na Suiça [em linha]. Recuperado em 17 de novembro, 2013, de planodecuidados.blogs.sapo.pt/107263.html
– Ordem dos enfermeiros. (2012) [em linha]. Recuperado em 17 de novembro, 2013, de www.ordemenfermeiros.pt/Paginas/default.aspx

Gostaria de trabalhar como enfermeira. Em Portugal
Este artigo, tem vários pontos-chave que são fulcrais na enfermagem. Não concordando com alguns dos pontos de vista, saúdo a excelente referência ao trabalho da “equipa de saúde” praticado noutros países versos a realidade de Portugal médico centrica. Concordo também com o ultimo paragrafo.
No entanto, não considero o volume de horas de trabalhos em duplo a nível nacional relevante, não quer isto dizer que não hajam “biscates” (que ninguém sobrevive com) que são justificação para indisponibilidade de serviço: https://www.nursing.pt/custos-dos-cuidados-domiciliarios/
Houveram dirigentes que não mentiram (como anteriores recentemente libertados) e colocaram mais uma opção na mesa, não obrigaram ninguém, foram realistas para o país.
Enriquecimento curricular é sempre muito subjectivo, e mal conduzido especialmente pelos recém formados: http://www.atlasdasaude.pt/publico/content/formacao-na-area-da-enfermagem
A principal culpa (lei da oferta e da procura), é dos estudantes que escolhem cursos saturados a nível de mercado de trabalho, mesmo que tenham muita vocação ou não tenham notas para outro curso socialmente mais aceite. Na área de enfermagem, todos os elementos que concorreram as faculdades depois de 2007 já sabiam ou deveriam saber, que não teriam emprego. Deixar cursos vazios leva ao encerramento dessas faculdades como recentemente aconteceu no polo Piaget e Macedo de Cavaleiro.
Termino, felicitando autora do artigo mais uma vez.
…GOSTEI DO ARTIGO, SOU UM TÉCNICO DE ENFERMAGEM ANGOLANO DE NÍVEL MÉDIO E ALMEJO FAZER LICENCIATURA EM PORTUGAL, OS CONDICIONALISMOS FINANCEIROS NÃO ME PERMITEM…
Olá, a Enfermagem é única e preciosa tanto para os profissionais que ela praticam, pois devem zelar pela qualidade e conhecimento, como para os nossos clientes que necessitam de nosso atendimento, Sou Enfermeira Especialista em Nefrologia, graduada no Brasil, com 28 anos de experiência.
Apesar de haverem experiências negativas na emigração, tenho o desejo de poder contribuir em outro país, que seria enriquecedor como profissional e também culturalmente. Caso haja alguma proposta de trabalho, estou à disposição para acordos.
Obrigada. Marisa de O. Moraes
Sou enfermeiro é gostaria de trabalhar em Portugal.